sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

TRASNO TRASTE TRASGO TRASTO

Por causa de ontem ter falado no Trasno, quando escrevi sobre o Sumiço, o meu neto Francisco, Barrosão de gema e, possivelmente por isso, interessado nestas feitiçarias, quis saber quem é este personagem. Ordens são ordens, sobretudo quando vêem de quem vêem...
Este Trasno, Trasto, Trasgo, ou como nós lhe chamamos Traste, é um Dianho ou Diacho, pequeno, que muitas vezes aparece como um carneiro, um cão, um cavalo ou como uma lufada de vento morno no Verão, gelado no Inverno. Muitas vezes decide ser um espírito do lar e, quando anda irritado, faz das suas, mas nunca nada de grande importância. Por exemplo, como o Sumiço, esconde coisas, para que as pessoas, de manhã, quando acordem, não as encontrem. Contudo, ao contrário do outro, fá-lo em lugares onde facilmente se descobrem. A todos nós aconteceu saber que deixou as chaves em determinado sítio e encontra-las noutro...
Contaram-me, aqui ao lado, numa vila que se chama Tomiño, que algumas vezes o Trasno se apresenta em forma humana, com um capuz vermelho enfiado na cabeça até aos olhos. Costuma aparecer assim aos rapazes pequenos que não o temem e deixa que eles lhe falem, mas só responde com grandes gargalhadas sem som.
Há algo muito importante que se deve saber do Trasgo, é que se os habitantes da casa o tratarem bem, ele fica contente e, todo prazenteiro, faz certos trabalhos de casa, enquanto as pessoas dormem.
Tem parentes espalhados pela Europa, como qualquer ser desta estirpe que se prese e assim encontramos o Kobold que vive na Alemanha, que, pelo menos nestes momentos de crise que atravessamos, é o mais rico e por isso tem chamado para lá uns Trastes portugueses e Trastos espanhóis, pois parece que há lá trabalho para eles, há o Puck inglês, que não larga Buckingham por nada desta vida, o Piskey que está em contacto com o Puck porque vive em casa da duqueza, na Cornualha, o Lutin da Bretanha, o Nisse da Noruega e o Tonte, o Tonte da Suécia, já galardoado, juntamente com outros humanos, com vários Prémios Nobel da Malandrice. Sei que agora estão todos reunidos numa gruta, em Bruxelas, comandados por um Traste português, a ver a melhor maneira de esconder a Europa dos chineses.
Na Cornualha, a terra que destinaram à mulher do príncipe Carlos de Inglaterra, parece que é um Traste feminino, que anda de noite, com uma candeia na mão, a desviar todos os homens que, por altas horas, se aventuram pelos escuros caminhos. Este Piskey é parecido, nalgumas coisas, com o Trasgo de Finisterra, ali conhecido com o nome de Demo Burleiro, que nunca conseguiu burlar o Fraga, e se entretém a gozar os rapazes e raparigas que andam a divertir-se pela noite fora. Nessas noites, consegue fazer com que corram atrás dele e, deste modo, perderem-se...
Aqui, na Galiza, eu encontro-me na parte portuguesa, mas estou a falar da que fica aqui em frente da minha janela, que é a espanhola, o Trasno é descrito, por quem o viu, com várias formas: ou é um espírito da noite, ou um demónio menor, de pouca importância, que tem a forma exterior de um cavalo, carneiro ou cão, e que, por vezes, se transforma em lufadas de vento, raios de Lua ou murmúrios de folhas. Moram nas fráguas e cascatas, por baixo das águas, mas o que é mais normal é habitarem as casas dos humanos, onde se sentem mais confortáveis. Penso que em Montalegre se passa exactamente o mesmo e, se não, hás-de estar com atenção, para veres como eles misturam todos os objectos da cozinha, enquanto tu estás a dormir, querido neto, chegando mesmo a esconder alguns.
Falando com umas pessoas muito entendidas neste assunto, por causa de umas trastadas que se passaram aqui na cozinha, recomendaram-me, para me precaver destes ataques, deixar alguns grãos de cereal dentro de uma malga, ou então espalha-los no chão da cozinha, antes de me deitar. Assim procedendo, como o Traste é muito curioso, quando vem, começa a contar os grão que estão na malga, ou então a apanhar os que estão no chão, coisa que não consegue porque tem as mãos furadas. Assim entretido, não tem tempo para fazer asneiras. Eu até estou a pensar em fazer o mesmo no Palácio de São Bento, em Lisboa, para ver se o Traste de lá se distrai um pouco...
Meu Francisco, aqui te deixo, espero que claramente, o que é um Traste ou Trasno ou...

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