
Se bem que na fotografia saia Companhia das Índias Ocidentais, eu considero errada esta classificação da loiça de porcelana chinesa de encomenda ou importação, já que a Companhia das Índias era a entidade transportadora. Como curiosidade, esta molheira com travessa e as armas reais, foi encomendada com o serviço do Senhor D. Pedro, irmão de D. João V.
Mas o que me traz aqui hoje é uma curiosidade, novo riquismo ou maluqueira de um senhor dos finais do século XVIII.
É sabido que desde tempos remotos existe em Portugal um gosto grande pela porcelana da China, gosto natural de quem andou tanto por aqueles lados do mundo. Chegámos mesmo a levar esse gosto para fora do nosso país, antes de outros o virem a fazer, como se pode ver pela descrição de um encontro entre o Papa Paulo IV e Frei Bartolomeu dos Mártires, então em Roma (1562-1563), para o Consílio de Trento, já no seu fim, que nos é dada por Frei Luís de Sousa na sua biografia do Arcebispo de Braga. Referindo ao Papa a ostentação das mesas cardinalícias, cobertas de pratas, falou-lhe de uma louça que abundava nas mesas portuguesas das classes altas, porcelanas chinesas que chegavam a Lisboa nas naus do Oriente e eram a muito bom preço. Dentro deste contexto, o Embaixador de Portugal junto da Santa Sé, fez com que ali chegasse uma grande quantidade de porcelanas da china, que foram muito apreciadas.
Mais tarde, e como curiosidade, em 1602, os piratas Holandeses, apresaram uma carraca que vinha do Oriente, a Santiago e mais tarde, 1604, outra a Santa Catarina, ao largo de santa Helena, ambas carregadas de louças de importação. Evidentemente que, logo que estas porcelanas da China entraram na Holanda, os fabricantes de Delft desenvolveram de imediato o fabrico de peças com o aspecto semelhante.
Mas vamos lá ao encontro desta família a que pertencia o tal novo rico, ou com as ideias de um desta categoria social.
Havia no Sobral do Monte Agraço uma família constituída por três filhos. O mais velho era Joaquim Inácio da Cruz Sobral, feito, por D. José I, Senhor do Sobral do Monte Agraço, o do meio Anselmo José da Cruz Sobral e uma rapariga de nome Joana Maria da Cruz Sobral.
Anselmo foi amigo do marquês de Pombal e figura grada no reinado de D. Maria I.
Com as novas leis da indústria em funcionamento, foi dado o privilégio para a exploração da fábrica de tecelagem de Portalegre, por carta da Rainha de 29 de Março de 1788, e por doze anos, a Geraldo Venceslau Bramcamp de Almeida Castelo Branco e ao já referido Anselmo José da Cruz Sobral, com extensão aos seus herdeiros, conforme se diz na carta, que ainda refere «...que em consideração às muitas vantagens que resultarão ao bem comum deste Reino e particularmente aos povos da província de Além Tejo, no adiantamento da indústria, aumento e perfeição das Fábricas de Lanifícios. É Sua Majestade servida a declarar que sempre que nestes importantes objectos e por efeito das diligências, aplicações e despesas deles interessados Anselmo José da Cruz Sobral e Geraldo Venceslau de Almeida Castelo Branco, se verifique e desempenhe a confiança que faz do seu zelo e préstimo, os atenderá e remunerará por tais serviços como feitos à Coroa e conforme a Sua Real Grandeza...»
Já no reinado de D. João VI, em 1813, o Geraldo foi feito barão de Sobral, depois de ter casado com Joana Maria, irmã do Anselmo José, e de o comércio ser declarado profissão nobre e os comerciantes autorizados a constituir morgadios com os seus bens, que até então tinha sido privilégio da nobreza.
Ora conta-se que este Anselmo José, abastadíssimo comerciante e fabricante de tecido, que não só era usado aqui, como exportado em grandes quantidades para o Brasil, não quis ficar atrás da nobreza e dos ricos burgueses, que encomendavam um ou dois serviços de porcelana chinesa. Não senhor, ele iria comer todos os dias num serviço diferente. Assim decidido, encomendou sete serviços completos, todos diferentes é claro, os quais, no seu conjunto, perfaziam a linda quantidade de duas mil e duzentas peças.
Havia no Porto um homem que ganhou uma fortuna na compra e venda de propriedades, chamado Alípio Antero, que tenho a certeza faria o mesmo mas para as suas três casas, cada uma com os seus sete...

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ResponderEliminarExmo. Senhor Antonio Alijo,
Lamentavel seu comentario sobre o meu Avô Alipio Antero. Penso que não tendo tido o privelegio de conhecer e privar com o meu avô, não poderia ter afirmado o que esta escrito no seu ultimo paragrafo. O Senhor meu Avõ, sempre foi uma figura respeitada e considerada. Não privava com qualquer pessoa, bastante selectivo convenhamos. Peço-lhe respeito! Falar de quem não se conhece não lhe fica nada bem , de quem nunca teve o privilegio privar, para alem de que o meu avô ja faceleu infelizmente há quase trinta anos. Lamento a sua falta de nivel e educação. Pelas sua palavras percebe-se que não o conhecia de todo. Não lhe dou esse direito!! Muito cuidado porque a ignorancia e a falta de educação é o mal de muitos que sem nada para dizer, e porque não sabem, proferem disparates como o seu.
Sem mais
Maria do Rosário Casanova Antero