segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ANGOLA





A todos nós, estas fotografias provocam um sorriso. Um sorriso de superioridade, frente a tanta ingenuidade.
Que melhor defesa contra os assaltos, que acontecem a todo o momento, numa cidade que foi linda e abandonámos aos Deus dará, porque meia dúzia de bestas libertadoras assim o quiseram, mas dizia, que melhor maneira de impedir que te enfiem um carro pelos vidros da montra dentro, do que pintar uma falsa?
Estas fotografias foram tiradas por um amigo que foi trabalhar para Luanda, e é suficientemente maluco para andar pelos musseques, a ver como vivem quatro milhões de pessoas, metidas na lama, lixo e destroços de todo o tipo, sem água para se lavarem, a si e à roupa. É verdade, os empregados do armazém, que pertence à firma onde este rapaz trabalha, têm de se lavar, e à roupa, numa bacia, do local de trabalho, porque não há água canalizada. Muito menos luz eléctrica, tendo alguns privilegiados, pouquíssimos, a possibilidade de possuir um gerador, que se guarda mais fortemente que um punhado de diamantes.
Estas são as fotos da realidade de um país riquíssimo, enterrado na pobreza. As outras, que por respeito a esta miséria, não as coloco, são as de outros amigos que, como me dizem, nem deram conta que faltasse o caviar (que piroseira a destes novos ricos que trocam carapausinhos pelas ovas), sempre que o desejaram.
Agora que já deitei cá para fora mais uma raiva que não me deixava respirar, volto para os meus totens, que me pedem atenção.

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