As árvores que se cortam para madeira, devem ser escolhidas cuidadosamente, estarem perfeitamente sãs, e no devido tempo, seguindo os rituais que se usam em cada região, que na realidade se baseiam, todos eles, no respeito para com a natureza.A madeira destas árvores, depois de cortada, deve estar completamente seca, antes de ser utilizada em qualquer obra. Cumpridos todos estes requisitos, estamos perante o material mais extraordinário que o homem pode usar e gozar. Ao mesmo tempo é fruto e carne da árvore, contendo em si um sem fim de propriedades.
A madeira como material de construção de uma casa, ou como decoração do seu interior, é mais do que suficiente para se obter um ambiente acolhedor e quente, colo o colo de uma mãe, desde que as formas sejam cheias de harmonia e se dêem os tratamentos competentes.
Este material que nos vem directamente da natureza, tem na casa verdadeiros efeitos reguladores de humidade, temperatura e electricidade ambiente, deixando-se impregnar pelas vibrações do lugar que a rodeia, e daí a necessidade da cuidadosissima escolha do terreno onde se vai construir. Há umas regras muito simples para que os efeitos da madeira sejam aqueles que nós desejamos. Os tratamentos mais adequados para este material , e mesmo para ser usado nos nossos móveis, são a cera natural de abelha, os óleos de linhaça, de coco e de amêndoas doces ou de outros vegetais e a essência de terbentina. Desta forma vamos impedir que a madeira venha a morrer ou perca a vitalidade que a caracteriza por secagem, pois com este procedimento, estamos a infundir uma «nova seiva», coisa que se não consegue, por muito que os seus vendedores digam o contrário, com produtos sintéticos, tintas e vernizes que, ao criarem uma película, impedem a respiração do material e cuja superfície tem efeitos muito negativos sobre a electricidade ambiente. A madeira viva tem a característica de neutralizar os iões pesados, tendo, assim efeitos muito saudáveis.
De notar que o desenho da casa, ou do móvel, e as suas estruturas, forem feitos com o critério conveniente, a vivenda transforma-se num templo, uma construção com poder.
É por isso que as formas harmoniosas são o requisito principal para nos aproximarmos da arte de construir. O ideal é o trabalho ser feito pela própria pessoa, com as mãos e ferramentas simples para impregnar a casa de um cariz humano, que é o coração do artesão
Ao construir-se a estrutura deve-se respeitar a polaridade e a posição dos materiais, tal qual estavam na árvore, ou seja, as peças verticais com as partes mais grossas para baixo, e as que se situam horizontalmente, com as partes mais finas para fora, como se fossem os ramos. Esta forma de construir é difícil de se seguir quando as madeiras são de serração, tratadas por processos industriais, mas devemos fazer um esforço para cumprir esta norma pois, ao colocarmos os postes, ou pilares, se os colocarmos ao contrário, conforme dizem os geobiólogos, com o tempo, podem atrair raios, pois a madeira continua a manter uma polaridade em toda a sua estrutura e, ao inverter-se perturba o fluxo natural da energia.
Esta ideia vem directamente dos espíritos das árvores e da tradição que diz que se não se respeita a postura natural das peças, os espíritos que vivem nelas ficam de cabeça para baixo e de tal forma furiosos que só provocam desgraças, vulgarmente até durante a construção da casa.
Mas a razão é que as partes inferiores das árvores têm uma muito maior densidade e peso, enquanto que as superiores têm o contrário.
A predominância das formas horizontais ou verticais, caracterizará a construção, pois uma mesa ou uma estante, em regra geral, têm uma grande massa horizontal, com efeitos calmantes, onde se acumula energia, próprios para as refeições e o trabalho calmo, sossegado, repouso e paz interior.
As formas verticais estão relacionadas com os fluxos de energia, são mais esbeltas, activas, e são masculinas e cheias de dinamismo. O seu excesso cria, certamente, desassossego, e mesmo actividades violentas, do mesmo modo que demasiadas superfícies horizontais são motivadoras de preguiça, passividade e apatia.
Por isso é tão importante o equilíbrio harmónico com o espaço envolvente, o móvel dentro da casa e da casa dentro da natureza, da paisagem. Tudo tem de ser devidamente julgado dentro da estética, pois quando a obra é harmónica, é um objecto perfeito, e isso é sentido de imediato.
A escolha da espécie da árvore é de grande importância, dado que pode facilitar ou complicar, aquilo que desejamos. Por isso, as madeiras de carvalho ou de castanho, pela sua estabilidade, peso e qualidades, são acumuladoras de energia e servem perfeitamente para reforçar a horizontalidade da estrutura. Já os freixos e os pinheiros têm efeitos completamente contrários.
Mas há muito mais para dizer sobre os infinitos efeitos que cada madeira exerce sobre o microclima de uma casa, que estão relacionados com a árvore a que pertence. Por hoje fica por aqui.

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