
Esta fotografia representa o pavilhão de segurança do Hospital Miguel Bombarda em Lisboa, felizmente conservado, do grande e tão esquecido arquitecto e importantíssimo bibliógrafo, José Maria Nepomuceno. E aqui lhe presto esta pequena homenagem porque interveio nesta história que conto.
O Convento da Madre de Deus, mandado construir pela Rainha Dona Leonor em 1509, em Xabregas, Lisboa, entrou em obras pouco depois de ter morrido a última freira que ali habitou.
Este empreendimento foi entregue, conscienciosamente, ao erudito arquitecto José Maria Nepomuceno que, pacientemente, foi reunindo peças de cerâmica muito antigas, que iam aparecendo no decorrer da obra, e que datavam dos primeiros tempos do cenóbio. Esta colecção era valiosíssima, sendo constituída por cerâmica pesada, de barro grosso e formas arcaicas, cobertas de vidrado verde.
Mas por razões que desconheço, o ARQUITECTO deixou o trabalho para nosso prejuízo, tendo sido substituído por um arquitectito que, completamente imbecil, considerou toda a colecção um monte de cacaria e desfez-se dela. Há ou não há bestas humanas neste mundo?
Curiosamente, é neste Convento da Madre de Deus que se encontra o extraordinário Museu Nacional do Azulejo.

Faz já muitos anos entrei na feitura de um documentário acerca da figura histórica Miguel Bombarda, como técnico de som e foi precisamente nesse pavilhão de segurança que gravei um monólogo de um paciente daquela unidade hospitalar que dizia em voz cava: Tirem-me daqui...eu prometo...já não faço mais mal a ninguém...e o som de gotas de água que caiam no lago ao centro do pequeno jardim ainda davam um ar mais lúgubre à cena. Abraço para ti António. Excelente blog!!!
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