quarta-feira, 14 de julho de 2010

UNIVERSIDADE DE BRASILIA

Na Universidade de Brasília, será dada, pela primeira vez no Brasil, uma disciplina baseada na sabedoria popular tradicional. No próximo semestre começarão as aulas, sendo professores xamãs, artesãos e mestres da cultura popular.
Benki Pianko é um grande especialista brasileiro em reflorestação. Maniwa Kamayurá, conhece ao pormenor as técnicas de construção dos índios. Lucely Pio consegue identificar com precisão qualquer planta do cerrado. Nenhum deles adquiriu os seus conhecimentos numa sala de aula, pois aprenderam os seus ofícios com os avós e os pais e transmitiram-nos aos filhos e aos netos. No próximo semestre, porém, vão ensinar o que aprenderam na Universidade de Brasília.
Benki, Maniwa e Lucely serão professores de uma disciplina de módulo livre: Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Benki é o mestre do povo indígena Ashaninka, no Acre, Maniwa, pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingú e Lucely é mestre de raízes da Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás, e vão transmitir o conhecimento acumulado durante muitos séculos nas comunidades onde viveram, e vivem, até hoje. Benki e Maniwa são xamãs indígenas, líderes espirituais com funções e poderes ritualistas. Lucely, é mestre quilombola.
Além deles, serão também professores da nova disciplina, Zé Jerome, mestre de Congado e Folia de Reis do Vale de Paraíba, em São Paulo, e Biu Alexandre, Mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro do Condado, um dos tradicionais grupos folclóricos da Zona da Mata pernanbucana, que reúne teatro, dança, música e poesia.
A criação da disciplina, que tem a duração de seis horas semanais, ainda depende da aprovação do Decanato de Ensino de Graduação. Faz parte de um projecto de introdução da sabedoria tradicional na universidade. "Queremos promover um diálogo, uma troca de conhecimentos" explica o professor José Jorge de Carvalho, coordenador do projecto e também do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa. "Os mestres que aqui estarão têm um modo de construir saberes que leva em conta não só o pensar, que é característico da cultura das universidades, mas também o fazer e o sentir", completa o professor.

Do boletim da Universidade de Brasília.

1 comentário:

  1. Sempre releio esta notícia! É uma grande novidade em relação à posição atual do discurso científico. No conhecimento valido não é só o da Universidade.

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