segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Para entrar no meu blog é pior que passar a fronteira do Afganistão,onde não penso ir.

Depois, conseguida a proeza,fico parado,porque não consigo escrever tanta coisa ao mesmo temo, se há tempo e algo para escrever.
Ando aqui enrodilhado com o Pedro Páramo, que me dá tantas voltas à cabeça...
Se alguém escreveu alguma coisa de geito foi o Juan Rulfo. A América do Sul, a única América que se deve escrever com letra grande, está tão linda naquelas páginas que ninguém tem de dizer mais nada.
Isto que escrevo mal,porque a esta hora escrevo sempre pior,é para um amigo João que conheci numa daquelas páginas insuportáveis, que chamam ridiculamente de sociais,para mim de engate, que fez anos e é grande amigo do meu Braza.Pergunto-me se gosto dele por ser amigo do Brazinha. E digo que não. Gostei do sorriso e dos óculos escuros. É tontito,porque se se quer esconder,deve tapar a boca,pois essa diz tudo. Assim,João, vem aqui e lê o presente de anos.
"«-Sim padre.
Porque é que aquele olhar se tornava corajoso diante da resignação? Que lhe custava a ele perdoar, quando era tão fácil dizer uma palavra ou duas ou cem se estas fossem necessárias para salvar a alma?Que sabia ele do Céu e do Inferno? E, contudo, ele, perdido numa aldeia sem nome,sabia quem eram os que teinham merecido o Céu. Havia um catálogo. Começou a percorrer os santos do panteão católico começando pelos do dia: «Santa Nunilona, virgem e mártir; Anércio, bispo; Santas Salomé viúva. Alodia ou Elodia e Nulina, virgens; Córdula e Donato.» E continuou. O sono começava a invadi-lo quando se sentou na cama:«Estou e rever uma fileira de santos como se estivesse a ver saltar carneiros.»"

No fim, acabou por vir cá para fóra e olhou o céu que é só vosso e...

Este escrito é o meu presente para o João.

Braza,conta pra ele.






1 comentário:

  1. Presentão, António. Gostei mesmo, de coração. Agora tens que vir a esta América do Sul. Visitar novos e outros já conhecidos amigos.

    Pelo texto já lhe digo que é possível conhecer mais o António. Ao ler dá vontade de continuar o papo.

    Abraços, João.

    ResponderEliminar